SAFO - A RAINHA DE LESBOS
Lesbos era a ilha da paixões e o centro da cultura eolica da raça gega. As energias que os jonicos consumiam pelo prazer, pela política, pelo comércio, pela ciência, pela legislação e pelas artes eram restringidos à esfera de emoções individuais. Em nenhuma época da história grega, tomaram o amor à beleza física, a sensibilidade ante a natureza radiante, o fervor consumado do sentimento pessoal, tão grandes proporções e receberam tão ilustre expressão como em Lesbos.
Foi ali que desabrochou a mais bela poesia lírica de que o mundo teve conhecimento.
A voluptuosidade da poseia eolia não é como a da arte persa ou arabe. É grega nas suas proporções, no seu tato e no seu domínio de si.
Nas poesias de Safo está tudo tão ritmicamente e sublimemente em ordem pela arte suprema da serenidade, da grandeza, da expressão, do abandono e da paixão.
Safo, que se chamava Psafa no seu dialeto eolio, foi a única grande poetisa do mundo grego antigo. Ela viveu antes do nascimento de Gautama, fundador do Budismo. Sua poesia foi forte o suficiente para resistir a mais de vinte e cinco séculos. Sua importância ultrapassava fronteiras. A sobrevivência de sua obra deve-se às citações de gramáticos e de lexicógrafos, sem os quais nenhuma palavra teria chegado aos nossos dias. Apesar do tempo e das dificuldades graficas, suas obras se conservaram intactas até pelo menos ao terceiro século da nossa era.
Embora não pareça existir evidência afirmativa, consta que as obras de Safo e de outros poetas líricos foram queimados em Constantinopla e em Roma no ano 1073, no papado Gregório VII. Já Cardano dissera que esta queima foi sob o regime de Gregório Nazianzeno, cêrca do ano 380 de nossa era. Pedro Alcidrio diz ter ouvido quando muito novo, que muitas obras de poetas gregos foram queimadas por ordem dos imperadores bizantinos e em seu lugar foram circulados os poemas de Gregório Nazianzeno. O Bispo Bloenfield declarou que devem ter sido destruidas bem cedo, porque nem Alceo e nem Safo foram anotados por qualquer dos gramáticos uteriores. Não há sonbra de dúvidas que sua obra era grandiosa. Poucos foram os preciosos versos que escaparam à destruição promovida pelo anti-paganismo.
Obra ilustrativa (escultura), pesquisa e postagem de Nicéas Romeo Zanchett
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ODE A VENUS - Por Safo.
Filha de Jove, que tens altares
Em cem lugares, Diva Falaz:
Ah! poupa maguas a quem te adora
A quem implora favor e paz.
.
Tu ja outr'ora piedosa ouviste
O brado triste da minha voz:
E da paterna mansão celeste
A mim vieste pronta e veloz.
.
Ao nivio carro jungido tinhas
Das avesinhas o meigo par.
Ele voando pelo ar sereno
Em prado ameno veio pousar.
.
E tu, sorindo, de mim diante
Meigo o semblante falaste assim:
"Safo, eu te vejo tão consternada,
Por que maguada chamas por mim?"
.
"Paixão te oprime? Gemes, suspiras
Dize, a que aspiram com tanto ardor?
Alguem, ingrato, se te não rende?
Ah! quem te ofende com tal rigor?"
.
"Há de rogar-te, se te ora engeita
Teus dons rejeita? Dons te dará:
Desquer-te amado? Por ti já esquiva
Em chama ativa se abrasará."
.
Tambem agora, deusa benigna
A mim de tigna dar proteção:
Auxiliadora neste conflito
Vale ao aflito meu coração.
.
PUDOR Por Safo
A teus dotes qual mais encantador
Tu ajuntas, amavel criatura,
Um pra mim, de todos o maior,
E que até embeleza a formosura:
O pudor!
Nicéas Romeo Zanchett

